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Luís XI e as artes


Se houver uma área na qual Luís XI não está associado em geral, é de fato o das artes. Sua imagem está longe de ser a de um príncipe patrono italiano, ou mesmo do bibliófilo Carlos V (rei de 1364-1380). Porém, ao contrário do que Jean Favier poderia afirmar em sua biografia do soberano, parece que Luís XI se interessava pelas artes, mas pela lógica de seu modo de governar: não pelo gosto, pelo interesse político.


Luís XI e a arte como instrumento político

O rei da França tem a imagem de alguém sóbrio, simples e que recusa a pompa e o luxo. Ele, portanto, aparece na maioria das representações que temos dele. O mesmo vale para seu pátio e suas várias residências. Nisto, ele difere de seus contemporâneos italianos (Borso d'Este, Laurent o Magnífico ou Federico da Montefeltro), mas também dos duques de Borgonha, seus grandes rivais até a morte de Carlos, o Ousado (1477) que , são grandes amantes da arte e da pompa, bem como patronos generosos.

No entanto, a corte de Luís XI não estava deserta, visto que havia mais de duzentas pessoas, segundo fontes, no Hôtel du Roi. Se o monarca está sempre muito atento às despesas, seus meios são importantes (a França é então a monarquia mais rica do Ocidente) e ele não hesita em usá-la para ricas cerimônias quando recebe convidados estrangeiros, embaixadores ou governantes. É o caso, por exemplo, da recepção do conde de Warwick em 1468 ou da rainha da Inglaterra três anos depois. Para o seu próprio caso, ele sem hesitar usa as artes como uma ferramenta para brincar com sua imagem, como quando entrou em Paris em 1461, onde as paredes são adornadas com folhas de ouro e um banquete organizado com talheres de ouro. e dinheiro.

Luís XI usa as artes da mesma maneira contra seus inimigos. Vemos isso com a guerra dos brasões contra o duque da Borgonha: em 1477, após a morte de Carlos, o corajoso, o rei ordenou que as imagens e as armas do duque fossem apagadas e substituídas pelas suas. As infames pinturas também são usadas, à maneira italiana, contra o Príncipe de Orange, representado pendurado por seus pés em uma tela exibida em Dijon em 1477. Luís XI incentiva panfletos contra ingleses e borgonheses, bem como a divulgação de discurso positivo sobre ele por meio de palhaços em locais públicos.

Como os italianos faziam naquela época, e como isso se tornaria mais comum nos tempos modernos, o rei está ciente da importância de uma autoimagem generalizada no reino. Luís XI é assim um dos reis da França mais representados: estátuas, vitrais, mesas ou medalhas (como a de Francesco Laurana) permitem esta difusão, com um acento colocado nos territórios recentemente adquiridos (como o 'Anjou, após a morte do Rei René).

Louis XI e os artistas

A abordagem das artes de Luís XI obviamente tem consequências para seu patrocínio e para a escolha dos artistas.

Primeiro, ele segue seus antecessores: como seu pai Carlos VII, ele chama Jean Fouquet ao tribunal. Também a exemplo do Rei René de Anjou, rodeou-se de artistas de renome da época, como o músico Jean Ockeghem e os pintores Colin d'Amiens e Coppin Delf. Se atrai artistas nacionais como Jean Fouquet, Bourdichon ou Jean Galant, Luís XI não hesita em apelar aos estrangeiros com Francesco Laurana e Georges Hermonyme. No entanto, distingue-se sobretudo pelo recrutamento de artistas e mesmo artesãos locais, nomeadamente para a realização de grandes obras (como Notre-Dame de la Salvation, em Compiègne, em 1468). Por fim, o seu interesse pelas artes vai além da pintura, da arquitetura ou da ourivesaria, já que se abre à literatura humanista, a de François Filelfe, Robert Gaguin ou Francesco Gaddi.

Como seu governo, Luís XI organizou o recrutamento de seus artistas com muito rigor. Ele os testa, os coloca em competição e lhes concede diferentes status: Jean Galant é, portanto, o ourives do rei, Jean Fouquet pintor do rei e Jean Ockeghem mestre da capela da canção do rei. Todos esses artistas são recompensados ​​com dinheiro vivo, mas acima de tudo com títulos e cargos honoríficos. Luís XI, por outro lado, não tinha com eles uma relação especial ou amizade, embora confiasse em Ockeghem o suficiente, por exemplo, para enviá-lo em missão diplomática à Espanha.

Monarca querendo controlar tudo no nível político, Luís XI faz o mesmo para as artes. Ele delega intermediários para supervisionar os locais, como Jean Bourré, que supervisiona os locais reais de Amboise e Langeais.

O sabor de Luís XI

O rei da França tem a imagem de um devoto, e isso é corroborado por seu gosto artístico. Sua prioridade vai para a religião e doações para igrejas, que até seu conselheiro Philippe de Commynes considera desproporcional. A ourivesaria é acima de tudo religiosa, como o braço relicário de Carlos Magno oferecido a Aix-la-Chapelle em 1481. Luís XI quis mostrar a sua piedade através das artes e do mecenato, para dar glória a Deus, assim como a Maria e a vários santos (São Martinho de Tours, ou São Miguel, cujo nome dá à sua ordem de cavalaria, criada em 1469). Essa fé se reflete em seu desejo inicial de mandar construir um monumento funerário original, que ele encomendou a Fouquet e Michel Colombe em 1471 e depois, decepcionado, a Colin d'Amiens dez anos depois. Ele tem requisitos específicos, como ser representado ajoelhado, não mentindo como os governantes anteriores. Um monumento funerário instalado em Notre-Dame de Cléry, no Loiret, Louis XI recusando-se a ser sepultado em Saint-Denis.

Para as artes seculares, o rei, como seus contemporâneos, privilegiou a arquitetura que, novamente, refletia sua personalidade. Seus palácios estão longe do esplendor dos palácios italianos, como o Chateau de Plessis, comprado em 1463 e regularmente aprimorado ao longo do reinado. Luís XI insistia mais no conforto do que no luxo e na magnificência. Para a pintura restam poucos vestígios, mas sabemos que Luís XI gostava muito das iluminações (as de Jean Colombe, por exemplo) que enfeitavam as muitas obras da sua biblioteca. Ele também é considerado um rei letrado e instruído, particularmente interessado em obras políticas. Por fim, a escultura, a tapeçaria, a música são artes apreciadas pelo monarca, mas em menor grau ao que parece, já que nos restam poucos vestígios.

Luís XI não ignorou as artes, pelo contrário. Perfeitamente consciente de sua importância, fez uso político deles. As artes por ele promovidas eram logicamente à sua imagem: simples e marcadas pela religião. Como diz Sophie Cassagnes-Brouquet, o rei praticava assim "um mecenato moderado e interessado, com objetivos políticos".

Bibliografia

- CASSAGNES-BROUQUET, S., Luís XI ou mecenato bem-humorado, Rennes, 2007.

- LAPEYRE, A., Luís XI, patrono da indústria de ourivesaria religiosa, Meudon, 1986.

- FAVIER, J., Luís XI, Paris, 2001.

Artigo inspirado em curso preparatório na Capes em Paris I.


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